"Coisa" velha
Aquele dia estava cinzento, as ondas arrebentavam no limite do horizonte, onde só podemos ver o minimo tempo em que elas nascem e morrem.
Balançando numa rede úmida dos resíduos de chuva da noite, são dez da manhã. Estou parado aqui, ouvindo uma música romântica no rádio, como se isso ainda fizesse um grande efeito.
Ao meu lado, a mulher que deveria ser a mulher da minha vida, mas que por vários motivos, nos deparamos, separamos e nos reencontramos, diversas vezes... Quase como escuto as ondas quebrando vez após vez... É como se eu simplesmente soubesse que iria ocorrer novamente e a única coisa que iria impedir seria se o mundo acabasse.
Ela é tão doce como deveria ser a mais bela e requintada beldade, uma em dez mil e quando olho pra ela, meus olhos só vêem beleza e ternura, como se os Deus apenas favorecessem um único ser no mundo.
Ao mesmo tempo, ela é tão espinhosa e cabeça dura e turrona quanto poderia ser, como uma montanha de 5000 metros, imponente e inflexível, me causando desejar as vezes por paixão tentar escalar, as vezes por cansaço tentar me afastar.
Esse sentimento bipolar sempre permaneceu no cerne de nossa relação, a qual, como seguindo as ondas do mar, repetiu seus altos e baixos, e mesmo assim continuo prostrado nessa rede úmida, observando essa beldade e desejando que as ondas continuem a repetir seu ciclo.
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