Meu martírio e minha dádiva

Eu estou me sentindo extremamente impotente, como alguém que está se afogando e imagina oxigênio a sua volta. Todo e corpo e alma doem como se estivessem sendo roídos por dez mil roedores ou beliscados por dez mil piranhas.

A sensação de impotência frente a burocracias cotidianas me fartam de uma maneira ímpar. Como se cem mil agulhas envenenadas estivessem perfurando meus olhos profundamente e lentamente, contudo, não existe o direito de gritar, apenas calar sozinho esperando essa sensação passar lenta e dolorosamente.

Enquanto tento afagar meus anseios e tratar minhas mágoas, a única coisa essencialmente boa que consigo pensar é nela, apenas essa lembrança atenua esse sentimento desconfortável que senti nesse momento. É estranho permear momentos de raiva e irritação intensa, desgosto com a maioria das coisas que deveriam importar algo, enquanto acalento meu coração pensando no seu sorriso sincero e profundo.

As pequenas marcas embaixo dos olhos transmitem certo cansaço. Sua cabeça repousa levemente sobre um travesseiro branco com detalhes floridos. Uma cortina branca esvoaçante cria o fundo perfeito para esse registro particularmente belo. Não precisa de absolutamente nada mais, pois só de pensar na sua expressão, levemente cansada, me traz um tranquilidade insolúvel.

Sua face revela seu majestoso semblante de mulher formada. Olhos que sentiram a dureza da vida trazem um brilho peculiar, profundo, todo seu. Seu punho repousa confortavelmente sob a face mostrando em sua pele marcada a ferro e fogo, numa simbologia que reforça seu desejo pela liberdade.

Essa visão sempre me deixa atônito, me traz uma paz sem fim. Como se somente por ver a tranquilidade transmitida por sua aparência, meus sonhos ficassem mais ricos, interessantes e tranquilos.

Cada vez que a vejo, tento me transportar para seu lado e compartilhar de sua companhia, de seu beijo e abraço, mas como num sonho, rapidamente desperto e entendo que meu coração travado, parece estar amolecendo lentamente.

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