Uma tarde em minha sala de estar
Chego em casa cansado após o trabalho, lidando com mártires humanos rotineiros, faço meu passeio para casa quase em transe, pensando nos pequenos momentos em que posso aliviar a tensão gerada pelo enfadonho dia.
De visita, recebo em minha casa uma pessoa interessante. Assim que entro no local, percebo que olhos penetrantes me observam. Eu silenciosamente acompanho o movimento avaliativo de seus olhos e vejo uma face tenra, pele negra como o mais puro ébano africano, postura ereta e altiva, vestimentas pouco casuais para um momento de relaxamento, transcendendo muito o que se costuma observar convencionalmente.
Forço um leve sorriso e faço um piada com o objetivo de descontrair o ambiente. Seu olhar avaliativo se reforça, como se seu principal objetivo fosse classificar o reles mortal que repousa estático a sua frente. Presto minhas considerações e me retiro do local com uma forte impressão em minha mente, sendo assim imagino o que move o coração desta mulher com esse olhar tão incisivo.
Vou ao meu quarto e fico imaginando ela em minha mente. Um pequeno vestido, de forma alguma vulgar revela sua fina cintura e a bela curva sutil em seus quadris. Seus olhos cortantes revelam a força que normalmente não se observa numa mulher dessa idade. Nariz e queixos arrebitados, maças do rosto salientes, totalmente proporcionais e simétricos denotam uma beleza negra estonteante.
Seu cabelo preso num corte tradicionalmente africano reforçam seu ar sedutor e sua natureza selvagem, talvez apenas equiparável a deusa africana OYA, deusa guerreira do vento e redemoinhos. Uma beleza impressionante, de derreter planaltos gelados e evaporar mares. Um sorriso discreto, de certa forma contido, mas imponente esbanja sensualidade, juntamente com seu olhar baixo, tornam impossível a qualquer homem de retirar a vista, como se fosse um pecado brutal ser incapaz de admirar suas qualidades, valendo a penas gastar os últimos momentos da vida a lhe venerar.

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